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Em meados da década de 90 existiu uma banda em Osasco com o curioso nome de Dead Birds Wanna Fly. A K7 deles circulava causando elogios de quem ouvisse. Guitarras saturadas, vocais mergulhados em distorção e bateria eletrônica. Senso melódico apurado. DBWF foi um duo, Bona e Garfield. Faz anos e anos que não lançam nada e nem sei se acabou – me disseram que sim. Mas Garfield hoje em dia tem um novo projeto chamado NSLOD e é sobre isso que gostaria de falar.

NSLOD busca uma fusão de dois elementos básicos: o lado etéreo e psicodélico do shoegazing e das bandas do chamado space-rock em geral, com eletrônica, seja ela vinda do ambient breakbeat, chill-out downtempo ou IDM. Encontramos nesse álbum amostras mais explícitas de ambos lados: “Brother 9xtended” puxa mais para a eletrônica enquanto “3:45 da manhã” já abusa um pouco mais das guitarras, mas no geral, o que temos mesmo é uma boa mistura de guitarras sempre entupidas dos efeitos mais espaciais possíveis com batidas eletrônicas downtempo – muitas vezes quebradas - e intermináveis camadas de teclados etéreos e lisérgicos. A sensação que NSLOD passa em suas canções é a de um vôo de planador. Flutua livremente sem solavancos, só sentindo o vento batendo no rosto, as subidas e descidas, com direito a friozinho na barriga e tudo mais. Música quando é boa assim parece mágica.

Particularmente minhas prediletas são “Phone Talk” e seu clima chill-out fim de festa, “Real Good”, que abusa tanto das guitarras sempre presentes quanto das fortes batidas e “Aquele Sorriso Bobo”. Eu sei que vai parecer blasfêmia eu sair soltando frases desse calibre, mas essa última me lembra “Ohm Sweet Ohm” do Kraftwerk, com a diferença que elas tem quase 30 anos de diferença e é óbvio que os sintetizadores e os teclados de hoje em dia são mais ágeis do que os daquela época. Vale dizer que tal comparação é válida só até os três minutos da canção. Depois entra um tímido drum’n’bass em cima do que parece ser uma das melhores músicas do Slowdive em 45 rotações.

Na Europa já está sendo usado o feio rótulo indietrônico para classificar artistas de vanguarda, como Lali Puna, B. Fleischmann, Ulrich Schnauss, Hermann & Kleine, Sweet Trip, Notwist, Styrofoam e outros, que tem como principal característica justamente essa mistura de sons etéreos do shoegazing e de artistas da 4AD com a eletrônica de vanguarda como artistas da Warp, Seefeel, Four Tet e hip hop alternativo. Atualmente, as principais gravadoras que apostam no que é chamado de indietrônico são as alemãs Morr Music e Monika Enterprise, além das norte-americanas Claire e Darla Records. NSLOD não fica devendo nada para esses artistas atuais.

Gilberto Custódio Jr.
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